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Imagem: Galeria de Inventores Brasileiros

 

Tem limite, ô meu!

 

Chico Buarque e Paulinho da Viola fazendo temporada ao mesmo em São Paulo a gente até agüenta, finge que não tá ligando e toca a bola pra frente.

 

Mas tirar daqui o aniversário do Alfredinho, aí já seria um pouco demais (“Sabe como é, o Manoelzinho tá lá, vive chamando...”). Faria doer os dois cotovelos, com aquela cabeça inchada incurável.

 

Pois ainda bem que ficou no boato e o popular Neném passará a comemoração de seus 63 anos (neste domingo) no botequim que é nossa segunda casa.

 

Pelo aniversário, o milton-de-fim-de-noite que sempre emociona o nosso amigo:

 

Morro velho

Milton Nascimento

 

No sertão da minha terra

Fazenda é o camarada que ao chão se deu

Fez a obrigação com força

Parece até que tudo aquilo ali é seu

Só poder sentar no morro

E ver tudo verdinho, lindo a crescer

Orgulhoso camarada de viola em vez de enxada

 

Filho de branco e do preto

Correndo pela estrada atrás de passarinho

Pela plantação adentro

Crescendo os dois meninos, sempre pequeninos

 

Peixe bom dá no riacho

De água tão limpinha, dá pro fundo ver

Orgulhos camarada conta histórias pra moçada

 

Filho do sinhô vai embora

É tempo e estudo na cidade grande

Parte, tem olhos tristes

Deixando o companheiro na estação distante

"Não me esqueça amigo, eu vou voltar"

Some longe o trenzinho ao deus-dará

 

Quando volta já é outro

Trouxe até sinhá-mocinha para apresentar

Linda como a luz da lua

Que em lugar nenhum rebrilha como lá

Já tem nome de doutor

E agora na fazenda é quem vai mandar

Seu velho camarada já não brinca, mas trabalha



Escrito por mascavinhas às 15h48
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Samba dos bairros

 

Aproveitando que hoje à noite seguimos com a temporada de Samba, o mapa do Rio (no bar Mistura Carioca, às 22h), posto mais um samba do repertório, este que é cantado Ana Costa, minha companheira de palco – digo, praticável.

 

O roteiro do show é de Lefê Almeida e a direção musical, de Lucas Porto (o popular Boga).

 

Pertinho do céu

Wilson Batista e Roberto Martins

 

Eu moro no morro

Que não tem batucada

Não tem barracão

Mas tem ruas e calçadas

O clima é bom

E o lugar é uma beleza

Eu moro no morro

De Santa Teresa

 

Não tem pandeiro

Nem camisa de malandro

Não tem cabrochas faceiras

De tamanco nas ladeiras

E tem morenas e louras

Que são o nosso troféu

Quem mora em Santa Teresa

Está pertinho do céu



Escrito por mascavinhas às 17h04
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Voz fina

 

Foi com grande consternação que fiquei sabendo da passagem do inesquecível Luiz Pareto, através do blógue de Sérgio Maggi, no Globo Online.

 

Veteraníssimo da advocacia, o personagem deste pôste – falecido na semana passada – ficou conhecido como protagonista de um trote antológico que rodou em milhares de toca-fitas nos anos 80. Quem ainda não ouviu que escute aqui.

 

Eliseu Drummond da Telerj e o português da padaria já confirmaram presença na missa de um mês.

Escrito por mascavinhas às 17h02
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Sorria, meu beeeeem...!

 

Três elevadores enguiçados, banheiros sem água, iminência de greve e agora essa...

 

Os barnabés do Capanema estão convidados a participarem hoje à tarde de "um sorteio de vários brindes", sendo o principal deles um "clareamento dental a laser".

 

Segue a vida no serviço público.



Escrito por mascavinhas às 13h00
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Imagem: Paulo Villela :: http://paginas.terra.com.br/arte/paulovillela/

 

Demodê, saudosista, blasê, retrô...

 

“Mas eu acho que o essencial, rapaz, é conversar, entendeu? No botequim não interessa o tira-gosto, o Bar da Maria foi consagrado sem ter um único pedaço de queijo pra vender, até porque são uns idiotas, entendeu? E outros tantos, né? O que interessava eram as pessoas que você encontrava pra falar, falar, falar, falar... Depois podia vir o queijo, não vir... O que você estiver bebendo é essencial, tem que estar gelado... Tem que ter limão...”

 

A fala que abre o pôste é do recém-sessentão Aldir Blanc, em (ótima) entrevista ao blogueiro Eduardo Goldenberg, publicada anteontem no Buteco do Edu.

 

O assunto das aspas são os serial bars (esses “botequins cariocas que imitam botequins paulistas que imitam botequins cariocas”, como me definiu o Filipe), mas os dois – amigos de longas doses – proseiam ainda sobre jabá, Gil, futebol, Salgueiro, mensalão, parcerias e outros assuntos de primeira grandeza.

 

A íntegra da entrevista aqui.



Escrito por mascavinhas às 12h43
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Imagem: Mascavinhas 


Camarada Manoel

 

Os amigos que trabalham pelas imediações da Cinelândia hão de reconhecer a banca de jornais que, localizada na esquina das ruas México e Araújo Porto Alegre (calçada dos fundos da Biblioteca Nacional), ficou conhecida por ser especializada em revistas do Botafogo e de temas esquerdistas.

 

Só lá os barbudinhos podiam encontrar publicações como Causa Operária, Verdade, Nova Democracia e a revista das Farc (!!!!!), além de pôsteres clássicos como Che, Mao e Carla Perez.

 

Pois só ontem fui saber que, faz um mês, queimaram a banquinha do Seu Manoel. Foi na madrugada de 17 de agosto, na mesma noite em que várias outras bancas das redondezas foram arrombadas e saqueadas (o jornaleiro em frente ao xerox ainda está lá, com a porta empenada). Pois na dele ainda inventaram de atear fogo.

 

Aposentado do INSS e dono do ponto desde 1979, o jornaleiro português de 67 anos estima ter levado um preju de R$ 15 mil, entre publicações queimadas e roubadas.

 

A quem quiser comprar – há um aviso "passo o ponto" pregado no que restou da banquinha esturricada – ele avisa que a transferência da licença sai a salgados R$ 50 mil (o preço de mercado, segundo Seu Manoel). Isso sem contar com a nova banca, que deverá custar algo em torno de R$ 20 mil.

 

Mas vai ser vândalo assim no cacete!



Escrito por mascavinhas às 11h23
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Imagem: The Poke

 

A malandragem e o boticão

 

Ontem nosso blógue fez uso de anestesia, broca, motorzinho, ancinho bucal e aquele cuspidor indigente.

 

Sendo assim, o dia hoje é propício a este Moreira da Silva – que o amigo Goldenstein define como um genérico de Cidade lagoa (outro sucesso do Morengueira), dada a semelhança entre duas as melodias.

 

Não figura no repertório de Pedro Miranda, mas ainda assim – dada a intimidade de nosso amigo com o samba de breque – serve de mote para os shows que o bravo Mirandela fará na Sala Funarte hoje e amanhã, às 18h30. Ingressos a R$ 5 (inteira) e R$ 2 (meia).

 

Fui ao dentista

Sebastião Fonseca e Cícero Nunes

 

Fui ao dentista pra chumbar uma panela

Mas o gajo achou que ela não podia obturar

Ele me disse: “Vou mudar toda a mobília

Tu vais ver que maravilha Morengueira vai ficar”

 

Breque: “Arranco tudo, arranco até o maxilar!”

Mas doutor, o que está me doendo é o pré-molar

Eu acho que vou ter um atrito com o senhor, hein?

 

Mas quando eu vi o boticão que ele trazia

Minha tripa ficou fria, começou a tremedeira

Quem foi que disse que o papai a boca abria

Pra espetar a anestesia na gengiva do Moreira

 

Breque: Mas tem que ser, queira ou não queira...

 

Em vista disso pra acabar com o meu berreiro

O doutor me deu um cheiro e eu ferrei numa soneca

E quando acordo, nem te conto, camarada

Minha boca está chupada, e a gengiva está careca

 

Breque: Meu panelão levou a breca!

 

Enquanto espero se a gengiva murcha e seca

Pra botar a perereca provisória no bocão

Tudo o que é éfe sai comprido, sai soprado

Que até fico encabulado, com tamanha assopração

 

Breque: Farofa fofa faz fofoca no feijão!



Escrito por mascavinhas às 00h37
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Imagem: My Opera

 

O contínuo e a secretária

 

Chego na repartição e a gargalhada come solta.

 

Da rodinha maledicente participam a vizinha-de-mesa da secretária, o serviços-gerais e o estagiário. Este último se chega e conta a notícia, fresquinha, protagonizada pelo contínuo:

 

“Aí... Eu tava ali carimbando aqueles documentos e senti uma inhaca danada. Olhei pro lado e estava o desgraçado, com aquele cheiro azedo. Mandei na lata: ‘Que porra de cheiro é esse?’ E ele, daquele jeitinho manso: ‘Sabe que é...? Eu tava tomando banho e vi que não tinha sabonete. Procurei, procurei e nada. Resultado: tive que usar o da minha cadelinha.’”

 

Reza a lenda que a solução emergencial virou higene diária do nosso protagonista.



Escrito por mascavinhas às 00h36
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Do tempo da cédula de papel

 

Vale a visita dos amigos a página preparada pelo Globo Online com jingles de eleições passadas.

 

O destaque, claro, são os da eleição de 89. Há um malfadado ( “Collorir a gente quer de novo...”), alguns folclóricos (“Bote fé no velhinho...”, “Juntos chegaremos lá...”) e também um que meu deu um nó na garganta do cacete: o “Lula-lá” que encerrou a campanha petista do 2º turno.

 

Ausentes da seção do Globo Online, mas não do Youtube!, também merecem a nossa lembrança bizarrices como Marronzinho e Sílvio Santos.



Escrito por mascavinhas às 00h29
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Imagem: Baptistão :: http://baptistao.zip.net

Gato com jota

Pérola dos sambas jocosos, este gordurinha abriu o ótimo show que Jards Macalé deu na Sala Funarte Sidney Miller, semana passada, com casa cheia.

 

Amanhã e depois tem o intrépido Pedro Miranda.

 

Orora anarfabeta

Gordurinha e B. M. Gomes

 

Olha, que eu conheci

Uma dona boa lá em Cascadura

Grande criatura

Mas não sabia ler (e nem tampouco escrever)

Mas ela é bonitona

Bem feita de corpo e cheia da nota

Mas escreve gato com jota

Escreve saudade com cê (pra você ver...)

Ela me disse outro dia, que estava doente, sofrendo do "estrombo"

Quase levei um tombo, caí durinho pra trás

Ela fala "aribu", "arioprano" e "motocicreta"

E diz que adora feijoada "compreta"

Ela é errada demais...

Vi uma letra "O"

Bordada em sua blusa, eu disse é agora

Perguntei seu nome ela me disse: " Orora "

“Sou filha do Arineu"

(mas o azar é todo meu...)



Escrito por mascavinhas às 12h08
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Michola comeu a isca

 

Aspecto dos maes curiozos do universo do chôro, os nomes de músicas são um capítulo à parte.

 

Não sei si os compositores têm algum méthodo, si apenas seguem a atmosphera que a música sugere, mas sei que é uma bolla correr os olhos sobre alguns títulos e imaginar as situações imaginadas (ou vividas) por êlles.

 

Como exemplo, listo os títulos mais pictorescos da caixa Choro carioca – música do Brasil, já comentada aqui neste blógue:

 

- Como vais, ó velha? (composta por Aristides de Oliveira, o "Moleque Diabo")

- Estou com fome (de Manoel Amorim Lima, o "Braga", também autor de O tempero da comida é o sal)

- Michola comeu a isca (Octavio Dutra)

- O Rodolpho é faz-tudo (Heitor Catumby)

- Pequerrucha (José Belisário, autor de Lágrima de Marte)

- Tango das moças solteiras (Antonio dos Santos Chirol)

- Traficante (Durval Berredo)



Escrito por mascavinhas às 11h33
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Imagem: BBC

Mais Chico

Enquanto janeiro não vem, segue a temporada paulista de Carioca.

Na busca por relatos sobre o show, encontrei mais um – este não muito animador – publicado no Jornal Musical.

Já o You Tube disponibiliza uma penca de mini-vídeos amadores do show, que pela total ausência de qualidade, valem só por curiosidade. O melhorzinho deles é esse, gravado na estréia, com a música Vitrines.

Qualidade um pouco melhor tem este outro vídeo, gravado no show de Chico na Alemanha, durante a Copa, com pouco mais de 8 minutos – nos quais esão O que será, O futebol, Ela é dançarina, Mambembe e Dura na queda.



Escrito por mascavinhas às 11h30
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